quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Blues - um grito de esperança



A história do blues é rica e profundamente enraizada nas experiências culturais, sociais e históricas das comunidades afro-americanas nos Estados Unidos. Ele nasceu como uma expressão artística e emocional de luta, resiliência e esperança. Aqui está uma visão geral de como o blues surgiu e evoluiu: 

Suas origens

O blues surgiu no final do século XIX, especialmente no sul dos Estados Unidos, em regiões como o Delta do Mississippi, onde a vida era marcada pelo trabalho duro nas plantações de algodão, pobreza e discriminação racial. Suas raízes estão nos cantos de trabalho (work songs), spirituals e field hollers — formas de música vocal usadas pelos escravizados e trabalhadores afro-americanos para se expressar, manter ritmos no trabalho e aliviar a opressão emocional.



Blues no Início do Século XX

No início do século XX, o blues começou a ganhar forma como um gênero distinto. Alguns dos primeiros estilos regionais incluem:

  • Blues do Delta: Caracterizado por sons crus e emocionais, geralmente com acompanhamento simples de violão e vocais expressivos. Robert Johnson e Son House são ícones desse estilo.
            https://www.youtube.com/watch?v=v3UbririiLY -  Me and the devil blues - Robert Johnson
  • Blues de Piedmont: Uma abordagem mais melódica, com o uso do fingerpicking no violão, popular no sudeste dos EUA.
        https://www.youtube.com/watch?v=jCyCw0BrOrs  - That's no way to get along -  Piedmont Blūz Acoustic Duo
  • Blues de Chicago: Um estilo mais urbano e elétrico que cresceu com a migração de afro-americanos para o norte.
            https://www.youtube.com/watch?v=xrGIB1eBL9Y&list=RDQMvMZTZA1VTqY&index=1  -  Good morning school girl  -    Chicago Blues Band

Expansão e Popularização

Nos anos 1920, o blues ganhou projeção com gravações de artistas como Bessie Smith e Ma Rainey, conhecidas como "Rainhas do Blues". Ao longo das décadas seguintes, o blues se fundiu com outros gêneros, influenciando o jazz e o rock.

Bassie Smith
Ma Rainey

Na década de 1940 e 1950, com o uso da guitarra elétrica, o blues elétrico emergiu, liderado por artistas como Muddy Waters, Howlin' Wolf e B.B. King. Essa era também viu o blues influenciar diretamente o nascente gênero do rock and roll, com músicos como Chuck Berry e Elvis Presley adotando elementos do blues.

B. B. King
Muddy Waters

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

 Música “Ctrl C + Ctrl V”

 


Coincidências e cópias na música são temas recorrentes e muitas vezes controversos. Com milhões de músicas lançadas ao longo das décadas e uma quantidade assombrosa de combinações de notas e ritmos que agradem ao ouvido humano, é natural que, ocasionalmente, artistas produzam obras que soem semelhantes, mesmo inconscientemente. No entanto, entender o limite entre coincidência e cópia é fundamental para manter a originalidade e integridade da música. 

Coincidências musicais

Músicos e compositores muitas vezes compartilham influências, estilos e estruturas musicais que se repetem em diferentes épocas e gêneros. Certas progressões de acordes são naturalmente recorrentes e usadas por inúmeros artistas. Isso porque algumas combinações de notas são mais agradáveis aos nossos ouvidos ou evocam sentimentos específicos, então é comum que diferentes músicas compartilhem aspectos harmônicos e melódicos semelhantes.

Coincidências também podem acontecer em músicas que se baseiam em temas culturais, estilos regionais ou mesmo subgêneros específicos. Por exemplo, a bossa nova, o blues e o jazz têm fórmulas muito características que são facilmente reconhecidas. Dois artistas que toquem dentro do mesmo estilo têm uma probabilidade maior de soar parecidos.

Como diferenciar coincidência de cópia?

A diferença entre coincidência e cópia pode ser sutil, mas há alguns aspectos-chave que ajudam a identificar cada caso:

·         Originalidade das partes: A melodia é única o suficiente para ser protegida por direitos autorais?

·         Reconhecimento imediato: A música lembra claramente uma obra anterior, sem precisar de análise profunda?

·         Influências e contexto histórico: Estilos e fórmulas musicais recorrentes, como a música folclórica e o blues, podem ter sobreposição natural entre as canções.

·         Análise técnica: Especialistas podem avaliar detalhes harmônicos, melódicos e rítmicos para entender a profundidade das semelhanças.

 

As coincidências e cópias musicais são temas polêmicos e complexos na indústria musical. A linha entre inspiração legítima e plágio nem sempre é clara, e muitos fatores podem influenciar esse debate. Aqui estão alguns pontos importantes sobre o assunto:

 

·         Coincidências Musicais: Com bilhões de músicas no mundo, não é incomum que algumas faixas compartilhem melodias, harmonias ou ritmos parecidos. Muitos estilos musicais utilizam progressões de acordes semelhantes, o que pode resultar em canções com um “tom” familiar. Às vezes, o que parece plágio é apenas uma coincidência.

·         Cultura da Intertextualidade: A música sempre foi feita de referências e inspirações. Artistas frequentemente homenageiam seus ídolos e estilos anteriores. Em gêneros como o hip-hop, o uso de samples e beats reciclados é uma prática comum e bem-aceita, desde que as autorizações legais sejam obtidas.

·         Testes Jurídicos de Plágio: Em processos legais, tribunais analisam vários aspectos para determinar plágio, como similaridade melódica, harmônica e rítmica, além da intenção do artista. É preciso provar que uma canção foi intencionalmente copiada. Esse processo pode ser subjetivo, com diferentes resultados dependendo de quem avalia.

Em suma, coincidências e cópias na música sempre geram discussões e reflexões sobre a originalidade e a criatividade no campo musical. mas é justamente essa complexidade que torna o debate tão interessante e relevante na evolução da música.

Onde se encontram essas coincidências? 

Plágio - é a prática de copiar ou imitar, de forma indevida, uma obra musical preexistente, sem a devida autorização ou crédito ao autor original. Esse ato pode ocorrer de diversas maneiras, seja na melodia, letra, harmonia, arranjo ou até em partes específicas de uma música, como um riff de guitarra ou um sample de uma batida.

O plágio musical pode ter consequências legais, financeiras e de reputação. Quando um artista é acusado de plágio e perde o processo judicial, ele pode ser obrigado a pagar indenizações ao autor original, perder os direitos autorais sobre a obra plagiada e até mesmo interromper a distribuição de sua música. Além disso, o plágio pode prejudicar a credibilidade e a carreira artística de quem o comete, uma vez que o mercado musical valoriza a originalidade e o respeito pelos direitos autorais. 

Exemplos de plágio:

https://www.youtube.com/watch?v=-iW0FVLd-3M              -     Feelings  (Morris Albert)

https://www.youtube.com/watch?v=Rh0Q1CX9tkY                    -    Pour toi  (Line Arnaud)

                                                                - - 0 - - 

https://www.youtube.com/watch?v=O80ebaqeNtk - Maria moita (Carlos Lira) / Smoke on the water (Deep Purple)

https://www.youtube.com/watch?v=BaomM3K7Kq8 - Adágio do Concerto em "C" (Albinoni) / Como dizia o poeta (Toquinho & Vinicius de Moraes)

Paráfrase - é o ato de reinterpretar ou reescrever uma obra musical, mantendo sua essência, mas introduzindo modificações que a diferenciam do original. Na música, a paráfrase é comum quando um compositor ou artista pega uma melodia, tema, harmonia ou estrutura rítmica de uma obra existente e recria algo novo, acrescentando seu próprio estilo ou elementos artísticos. A intenção não é copiar diretamente a obra original, mas sim oferecer uma nova perspectiva sobre ela.

Exemplos de paráfrase:

https://www.youtube.com/watch?v=8MA1VKEGFxs     -      Matriz ou filial (Lúcio Cardim)

https://www.youtube.com/watch?v=MPtUw6rr3-Y         -     Separação (José Augusto)


Hino Nacional Brasileiro

https://www.youtube.com/watch?v=Ky-bFNKaEkg               grav. Fafá de Belem


Paródia - é uma forma de criação artística que envolve a alteração de uma música existente, geralmente com a intenção de humor, crítica ou sátira. A paródia mantém a melodia ou a estrutura musical original, mas modifica a letra ou o contexto da canção para transmitir uma nova mensagem, muitas vezes com um tom jocoso ou irônico. Esse tipo de composição é amplamente utilizado no entretenimento e na cultura pop.

Exemplo de paródias:

https://www.youtube.com/watch?v=Qwr29yZ9S-8           -   Gorda (Tirulipa)

https://www.youtube.com/watch?v=X0AJIcN3D9k           -    Loka (Simone, Simaria e Anita)


Versão - é quando um artista interpreta e/ou grava uma música composta por outro artista. Fazer uma versão de uma canção é uma prática comum na música, usada tanto como homenagem quanto como forma de reimaginar uma música sob uma nova perspectiva. As versões podem variar desde interpretações fiéis até adaptações criativas que transformam a canção original em algo completamente novo.

Exemplo de versões:

https://www.youtube.com/watch?v=zb9wvxoxS3w&list=PL8yKhMpWM66lHuUqEhKG2Kkq2Yqv1ZEv0&index=6

https://www.youtube.com/watch?v=9MoyneD2n0M

Desafios e Originalidade - Fazer uma versão não é apenas “copiar” uma música. Os artistas geralmente enfrentam o desafio de trazer algo novo para a canção, mantendo o respeito pelo original. Quando bem-sucedidas, as versões transmitem uma nova perspectiva ou adicionam uma profundidade emocional que, às vezes, nem a canção original alcançou.


Musica incidental – é a inserção de uma musica pre existente como parte de uma composição, afim de mencionar um sentimento ou reforçar uma ideia através da obra inserida.

A música incidental ajuda a conectar o público à história, muitas vezes de maneira imperceptível, mas profundamente eficaz. Em resumo, a música incidental transforma experiências visuais e dramáticas em algo mais imersivo e emotivo, sendo uma peça crucial em diversas formas de arte narrativa. 

Exemplos de musicas incidentais:

https://www.youtube.com/watch?v=Ej22g7ajRJ4        -  

A dois passos do paraiso (Blitz) / One Love People Get Ready (Bob Marley)

https://www.youtube.com/watch?v=VVuiNZx1XMQ

Diga lá, coração / Espere por mi morena     (Gonzaguinha)

Em resumo, o que diferencia uma coincidência de uma cópia musical intencional é uma análise detalhada do contexto, das intenções dos artistas e da estrutura das músicas envolvidas. A criatividade, a inspiração e a lei dos direitos autorais caminham lado a lado na indústria musical.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Um... dois...um, dois, tres, quatro...

Assim começa, normalmente qualquer musica, e assim começa tambem, espero, um longo periodo de relacionamento com os amantes de musica, onde pretendo compartilhar um pouco da minha experiência e, tambem absorver conhecimento a partir dos comentarios e opiniões dos seguidores. Espaço que eu gostaria de usar para trocar informações e impressões a respeito desse precioso presente que o Senhor Deus tem nos dado, a música.
Que Deus abençôe a todos,

João Carlos

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Estudando fraseado


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SISTEMA MUSICAL DA GRECIA


O sistema músical grego.

Texto escrito pelos professores  Maria José Borges e José Maria Pedrosa, da Escola de Musica do Conservatório Nacional de Lisboa)

Uma interrogação que se poderá pôr, antes de mais, é se a música grega foi monódica ou polifónica. Na realidade, as palavras harmonia e polifonia aparecem nos teóricos e filósofos da antiguidade. O seu conteúdo, porém, não é o mesmo que hoje se lhe atribui, como é óbvio. É certo que existiam coros mistos, execução simultânea de vários instrumentos e a própria execução com um aulos de 2 tubos, que haviam de produzir uma simultaneidade de vários sons. Mas esse fenómeno (heterofonia) acontecia naturalmente e não obedecia a regras e muito menos a intenções de outra complexidade musical. Seguindo R. de Candé, podemos dizer que, na Música Antiga, como em geral em toda a música extra-europeia, o pensamento musical é essencialmente monofónico: nele a simultaneidade sonora é fortuita, aleatória e inconsciente. Pelo contrário na música ocidental dos últimos 10 séculos o pensamento musical torna-se essencíalmente polifónico: a simultaneidade sonora é procurada, elaborada e julgada indispensável (Polifonia-Harmonia) e a monofonia transforma-se em excepção (caso das Partitas e Sonatas a solo de violino ou violoncelo de J. S. Bach).



 O sistema diatónico TELEION
Parece não haver dúvidas de que o sistema musical grego está na base do sistema teórico da música ocidental. Mas é importante saber desde já que, na Grécia, não foi constante a adopção deste sistema. Efectivamente o heptatonismo ( sete tons), que levaria ao sistema Teleion, apareceu apenas no séc. VIII, sendo precedido com certeza pelo mais arcaico pentatonismo, eventualmente relacionado com outras culturas orientais.
Todo o sistema musical grego parte do tetracorde descendente, que correspondia às 4 cordas da forminx: Hypate (a corda superior, mais grave), a Mese (a central), Trite (a terceira) e a Nete (a inferior, mais aguda). No séc. VIII acrescentaram-se mais 4 cordas à lira tradicional, cujos sons produziam já uma oitava completa:

Hypate  parahypate  lichanos  mese  paramese  trite  paranete  nete
   Mi        Fá               Sol           Lá           Si          Dó      Ré          Mi

Através das 8 cordas, as 8 notas assim obtidas aparecem como a justaposição de 2 tetracordes iguais, quanto à sequência tonal de intervalos:
 - o central (meson) - Mi_ Fá_ Sol _Lá      1/2+1+1tom
- o separado (diazeugmenon) Si_ Dó_ Ré_ Mi    1/2 + 1 + 1 tom
À nota inferior pode-se acrescentar agora um novo tetracorde descendente, i. e.:
- o superior (hypaton) - Si Dó_Ré_Mi   1/2 + 1 + 1 tom
Do mesmo modo, à nota superior pode acrescentar-se um novo tetracorde ascendente, ie:
- o sobressaído (hyperboleion) - Mi_ Fá_ Sol_ Lá  1/2 + 1 + 1 tom
Se a este sistema de 4 tetracordes tonalmente iguais se acrescentar uma nota inferior (proslambanomenos), obtém-se um sistema de 2 oitavas, precisamente o que os Gregos chamavam sistema TELEION.



Os modos
Dependendo da lira utilizada, ou da afinação da mesma, a estrutura básica chamada tetracorde pode apresentar-se de 3 maneiras conforme o lugar ocupado pelo intervalo de meio tom dentro do tetracorde. Segundo isto, obtém-se os tetracordes:
        - dórico: 1 + 1 +. 1/2
        - frígio: 1 + 1/2 + 1
         -lídio: 1/2+1+1
O sistema de 2 tetracordes iguais e justapostos constitui uma oitava (harmonia, tom, sistema) ou modo definido pela qualidade dos respectivos tetracordes. É assim que se obtém os 3 modos fundamentais da música grega: dórico, frígio e lídio.
 - Dórico: Mi Ré Dó Si Lá Sol Fá Mi
- Frígio: Ré Dó Si Lá Sol Fá Mi Ré
- Lídio: Dó Si Lá Sol Fá Mi Ré Dó
Prosseguindo analogamente na formação de oitavas a partir do dórico, encontra-se o sistema completo de harmonias, com a introdução dos seus relativos hypo (inferiores, a uma quinta), bem como do mixolídio (mistura de lídio e dórico).
 Uma das características da música grega é a conotação psicológica que os teóricos lhe deram. A partir, sobretudo, do período helenístico acentuou-se cada vez mais o carácter de cada modo, variando por isso o âmbito da sua aplicação. Eis como Th. Reinach esquematiza esta teoria:
DORICO arrasta a alma para o justo meio.
HIPODÓRICO Firme e majestoso, mais activo que o dórico. Altivo e pomposo.
FRÍGIO Agitado, entusiasta, báquico.
HIPOFRÍGIO Como o Frígio,mas mais activo.
LÍDIO Dolente, fúnebre; decente e educativo, segundo Aristóteles.
HIPOLÍDIO Dissoluto, relaxado,voluptuoso.
MIXOLÍDIO   Patético.


Os Tons
Uma vez que os modos não exigem uma altura absoluta - são, de facto, meras ordenações diferentemente qualitativas de intervalos (embora as harmonias primitivas fossem algo mais que essa ordenação) - pode-se concluir que todos eles, de acordo com os registos da voz ou do instrumento, se podem organizar a partir de qualquer nota ou tom da escala primitiva. Criam-se, assim, as transposições tonais ou escalas transpostas: o que faz que, a partir de qualquer nota, se possam criar todos os modos. Para isso bastaria aplicar os acidentes necessários.

Os Géneros musicais
Se as notas extremas do tetracorde grego eram fixas, o mesmo não acontecia às intermédias que se podiam ordenar de várias maneiras, dando lugar à conformação dos chamados géneros musicais: diatónico, cromático e enarmónico.
O género diatónico era o mais natural e o único utilizado na música coral, ao passo que o cromático e o enarmónico eram utilizados quase exclusivamente por cantores solistas e pelos instrumentistas. Parece que o género enarmónico se deveu às influências exóticas da música grega. Mas como a propósito desta não há geralmente certezas absolutas, também a este respeito não temos nada de perfeitamente concordante.

Rítmica
Pela sua relação estreita com a palavra, o ritmo da música vocal grega dependeu originalmente da métrica: o metro, a quantidade das sílabas e palavras é que ditava a duração dos sons. Com o aparecimento da música instrumental, e também com o desenvolvimento do sistema musical, foi possível criar um sistema rítmico autónomo, embora com alguma dependência terminológica original.
Cabe a Aristóxenos, entre outros méritos, o ter sistematizado o ritmo, que define como a ordem na repartição das durações. Ele adopta como unidade o tempo protótipo: um tempo simples, indivisível, correspondente a uma vogal breve (U) e transcrito como uma colcheia. As durações superiores são dadas no tempo sintético que soma 2, 3, 4 e 5 tempos protótipos (tempo composto).
 A ordenação dos tempos numa frase fazia-se mediante conjuntos simples, chamados pes. Ao princípio este pés eram dados pela métrica do poema, mas as coisas não eram tão fáceis de demarcar uma vez que nem sempre era regular a sequência dos pés.
Como saber, então, em que ritmo se encontra uma peça? Pelo batimento do compasso. Este é concebido entre os Gregos como uma relação de levantar e repousar (arsis e thesis), relação essa que era executada simbolicamente pelo levantar e bater do pé do chefe do coro, por vezes munido de um instrumento. A notação rítmica indicava o levantar por meio de um ponto por cima da nota.
 Repare-se, agora nos principais pés métricos da poesia grega e a sua correspondência em grafia moderna. Conforme os tempos simples utilizados, temos pés de 3 e 4 unidades:
 - com 3 tempos prototípicos: troqueu, jambo, tribráquio.
- com 4 tempos prototípicos: dáctilo, anapesto, espondeu.

 Notação
Originalmente a música grega, como quase todas as culturas musicais da época, conhecia apenas a simples tradição oral. A partir do séc, VI, contudo, os Gregos começaram a utilizar a notação alfabética. Fizeram no entanto, de duas maneiras conforme se tratasse de música vocal ou instrumental.
A notação instrumental baseava-se no alfabeto arcaico. No caso destas notas se alterarem, o que podia acontecer de duas maneiras, conforme se empregasse o género cromático ou enarmónico, então aqueles sinais deitavam-se ou invertiam-se.
Quanto à notação vocal, ela faz-se com base no alfabeto jónico. Transcrevendo a notação instrumental com suas possíveis inversões, mas só a partir da oitava coral, e aplicando depois as 24 letras do alfabeto jónico, obtém-se a sua notação exacta.
No que respeita à oitava superior, aquelas letras jónicas são invertidas ou levam um simples apóstrofo; pelo contrário, na oitava inferior, as letras são simplesmente invertidas.
Em referência à notação rítmica, já se viram os símbolos utilizados. 
Normalmente a duração correspondente a uma breve (U) não se escrevia e, por vezes, nem sequer se usa o sinal da longa (—), sobretudo se o texto não oferecer qualquer dúvida quanto à sua aplicação musical.




colhido no blog: Musicantiga.com.sapo.pt 
     

sexta-feira, 19 de março de 2010

DIREITO AUTORAL - REGISTRAR É "LEGAL"

Boa noite pessoal!
Primeiramente, quero pedir desculpas por ficar tanto tempo sem escrever. Muito bem, se fui perdoado, vamos ao que interessa:
Criar uma musica é, realmente, uma grande experiência e tambem um talento valioso dado por Deus à algumas pessoas e, desta forma, o compositor quando recebe a inspiração e produz a sua obra, se enche de entusiasmo e não se contem enquanto não a torna publica, mostrando para os familiares, amigos, cantando nas festas ou na igreja. Aí as coisas começam a se complicar, pois, nesse momento poderá estar se tornando vitima dos plagiadores de plantão, que a exemplo de "alguem" muito conhecido, vem para roubar... e anda ao derredor dos compositores desavisados, buscando a quem possa tragar (I Pd. 5:8). Portanto, sejamos sóbrios e cuidadosos, "não dando lugar aos piratas" (Ef. 4:27). Antes de divulgar a sua musica, tome o cuidado de registra-la. 
O procedimento é simples, siga os passos abaixo:
a) escreva a partitura (melodia e cifra) - 2 copias
b) escreva e revise a letra (se tiver) - 2 copias
c) encaminhe com requerimento próprio para: 
   UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - Escola de Musica - Escritório de Direito       Autoral
Rua do Passeio, 98 - lapa - Rio de Janeiro - RJ
CEP 20021-290
P/ maiores informações, veja o link abaixo
Escola de Musica - UFRJ

Com esses tres passos, voce garante o credito de sua obra musical pra voce e seus descendentes. 


IMPORTANTE: Não negocie o seu direito autoral com ninguem. A musica é sua, Deus lhe deu, não abra mão da sua benção por qualquer "R$ prato de lentilhas,00".


Um abraço.






















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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O caminho I - VI7 - IIm7 - V7 - I


Esta é um sequencia super conhecida e, muitas vezes, repetitiva, podendo se estender por frases e mais frases, como em "Blue moon", por exemplo, onde o I grau é extendido para o VI7, não só como relativo, mas, tambem como um dominante secundario preparando a tensão do II grau que levará até o V7, e este resolverá no I grau novamente fechando a frase ou começando tudo de novo. A sequencia é legal, porem, se muito repetida, se torna enfadonha. Neste caso, gostaria de sugerir uma outra formula , que, ao meu ver ou ouvir, pode proporcionar um efeito muito interessante. Veja abaixo:



 Observe que, quando saimos do convencional  I - VI7 - IIm7 - V7 - I  (a partir do 3º compasso) acontece uma sequencia cromatica de triades menores: Bm/G - Bbm/G - Am/F - Abm/F (Gmaj7 - Gm7(5-) - Fmaj7 e Fm7(5-) respectivamente), e, em seguida, no compasso #5 temos: Bm/E - Bbm/Eb - Am/D - Abm/Db, ou seja: Em9 - Eb9 - Dm9 - Db9, resolvendo em C6/9.

Importante: Embora o objetivo seja quebrar a rotina imposta, no entanto devemos ter o bom senso de usar este recurso com parcimonia, para que ele não se torne o "chato".

Experimentem e mandem a vossa opinião.

Esta banda é de PRIMEIRA!


estes são os musicos que tem aturado o meu "do-re-mi".
Que Deus os abençôe!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PADRÃO RITMICO - LEVADA

O maior pesadelo de qualquer banda é ser obrigada a tocar uma musica desconhecida, sem o tempo para preparação, estudo da partitura ou da gravação, ensaio, enfim, o cuidado necessário para que a dita musica seja bem executada. Muito bem, parece algo estranho, no entanto é muito  mais corriqueiro do que se possa imaginar. Vejamos algumas situações:

a)      Em uma noite qualquer de trabalho, o cantor ou solista da banda não poderá, por qualquer circunstancia, se apresentar, em nome de um grande senso de responsabilidade, ele indica um, outro colega para o substituir. Pronto... está feito o estrago. Mudou repertorio, mudou tonalidades, mudou interpretação, e ninguém sabe o que vai acontecer.

b)      Escola dominical, os músicos com o repertorio já escolhido, já oraram, afinaram os instrumentos, enfim aquela rotina de sempre, faltam cinco minutos para começar o culto, chega o pastor, chama o ministro de louvor e diz:  - Sabe irmão, esta madrugada eu estava debruçado no sermão desta manhã e o Espirito Santo me lembrou de uma canção muito antiga que eu aprendi ainda na igreja infantil (ele já tem mais de sessenta anos), e creio que será uma grande benção  para a igreja... Já entendeu, “né”? A banda vai ter que tocar.

Como essas, inúmeras outras podem acontecer e deixar os músicos em uma tremenda enrascada. Tem algumas coisas que devem ser consideradas, como a harmonia (as cifras já bastam), e a “levada”.
Como é que a banda vai se comportar, tocando algo de que não tem a menor idéia?
Calma, nem tudo esta perdido. Existem alguns macetes, dos quais os músicos podem e devem lançar mão nessas horas difíceis.

A “A LEVADA”

Esse é o ponto que eu quero destacar hoje, a “levada”, cujo nome correto é padrão rítmico, é o que determina o gênero musical, se é rock, samba, valsa ou salsa. É natural que cada musico tenha a sua própria maneira de tocar um determinado gênero de musica, porem em conjunto é necessário que todos somem as suas participações com o objetivo de apresentar uma única “levada”, uniforme e consistente. Tá legal, então qual é o segredo pra se fazer isto?

- Toma-se a bateria como referencial e cada instrumento da banda apóie-se em uma peça da bateria, desta forma:

1)      O baixo apóie-se no bumbo
2)      Guitarra apóie-se na caixa
3)      Teclado apóie-se no primeiro bumbo de cada compasso (é so “cama”)
4)      Violão apóie-se no chimbal

Vejamos o exemplo abaixo, no padrão rítmico Rithm & blues



CONVENÇÃO DE CORES



Espero que esta informação tenha sido de alguma valia, porem lembre-se “nada substitui o ensaio”
Ah! e quanto à harmonia (cifras), falaremos sobre isto em breve.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

HINO NACIONAL BRASILEIRO

Há muito tempo que algo vem me incomodando, tanto como cidadão como musico, é o fato de que na maioria dos eventos cívicos em que participei como musico (foram inumeros), no momento de executar o Hino Nacional Brasileiro, se não tivesse no local uma banda militar para representar a nossa categoria (sem sindicalismo), estavamos "fritos", pois nenhum dos colegas presentes, inclusive eu, se habilitava à nobre empreitada. As desculpas eram muitas e esfarrapadas, do tipo:
"não me lembro, faz tempo que não toco", "precisa tirar pelo disco", "não tem partitura", "não conheço as cifras", etc., etc.. Muito bem, para diminuir este mal estar, pelos menos pra mim, resolvi cifrar a partitura e a letra do nosso hino.

Letra cifrada: http://www.4shared.com/file/213885360/b8b0b2d4/HINO_NACIONAL_BRASILEIRO__letr.html

Partitura cifrada:
http://www.4shared.com/file/213885189/5c6bf390/hino_nacional_brasileiro_-_tem.html


sábado, 30 de janeiro de 2010

TENSÃO, PREPARAÇÃO E RESOLUÇÃO

Muito se pergunta: como é possível acompanhar alguém sem ensaio e muitas vezes sem conhecer a musica? Existe um sem numero de formulas, clichês, e outros artifícios, dos quais os músicos mais experientes lançam mão nas horas difíceis, e entre e estes recursos de “bolso de colete” está a aplicação da equação:

TENSÃO à PREPARAÇÃO à RESOLUÇÃO.

Para compreender melhor, vamos ver o que cada uma dessas expressões representa no contexto musical. Vamos lá...

TENSÃO – momentos em que a musica não têm repouso, dando a sensação de continuidade, exigindo a próxima frase, o próximo acorde. Estes trechos são sustentados pelo IV grau e seus relativos II e VI (primário e secundário respectivamente)

PREPARAÇÃO – neste ponto a musica está incontidamente pedindo a conclusão do assunto musical, seja de uma frase ou da musica como um todo. Esta função pode ser executada de três formas diferentes, a saber:

· DOMINANTE (V grau) – resolve naturalmente na Tonica,

· TRITONO (IIb grau) – resolve na Tonica por aproximação cromática descendente, uma espécie de sensibilidade ao contrario.

· SENSÍVEL (VII e VIIb graus) – resolve na Tonica por aproximação diatônica ascendente.

RESOLUÇÃO – momento da finalização da frase ou da musica, função esta, exercida, via de regra, pelo I grau (salvo raras exceções).

NA PRATICA

Usando como base o tom de Do maior, experimente as seqüências abaixo:

1. | IIm7 / / / | V7 / / / | Imaj7 / / / |

dominante

| Dm7 / / / | G7 / / / | Cmaj7 / / / |


2. | VIbm7 / / / | IIb7 / / / | Cmaj7 / / / |

tritono

| Abm7 / / / | Db7 / / / | Cmaj7 / / / |

3. | IV#m7 / / / | VII7 / / / | Imaj7 / / / |

Sensível - sétima maior

|F#m7 / / / | B7 / / / | Cmaj7 / / / |

4. 4. | IV m7 / / / | VIIb7 / / / | Imaj7 / / / |

Sensível – setima menor

| Fm7 / / / | Bb7 / / / | Cmaj7 / / / |